Conto — O sorriso do “boqueiro”: ato de vingança.

Você não soube o que aquela safada me fez? — teve o que mereceu! Bem feito…

Já fazia um tempo que eu estava “flagrando” a malandra.

— usou meus bagulhos, pegou sem pedir — foram quase 2 mil de pedras — essa “danada” descobriu onde era o meu  “mocó”,  olha que estava num local que ninguém desconfiava.

— Ela ficou de butuca, na espreita, e achou tudo — só pegou os bagulhos, deixou o dinheiro que estava lá.

O que eu deveria fazer? — Ué! Desconfiei dela, sim!

 — sabia que era doida por uma pedra — estava viciada à maldita.

Tudo bem, que ela era bem bonita, tinha corpão e cara de “novinha”, ainda mais, com aqueles olhos muito vivos e tinha um sorriso que encantava qualquer homem que a visse.

Tinha, porém, aquele jeito pervertido!

Ainda mais, quando batia a secura da “noia” nela.

Não pensava duas vezes, só queria o bagulho por isso, fazia qualquer coisa para conseguir.

Sabe doutor, sempre fui um sujeito muito tranquilo.

Isso tudo começou, há 3 anos. Foi num pagode na casa do meu primo,  que é um “boqueiro” lá do centro da cidade, só tem clientes “files”.

Era um dia de curtição, estava todo mundo lá na casa dele, muita alegria, o freezer estava entupido com “loiras geladas”, carne à vontade e o som era de primeira qualidade.

A meninada pulando na piscina e lotado de mulher bonita. Até parecia uma festança de casamento.

Eu não sabia que o meu primo era tão conhecido e que tinha tanto dinheiro. Se bem que ele rodava pela (cidade) montado numa (Hilux Turbo) “zerada”, toda invocada, com rodas de liga leve e teto solar, dava para reconhecer o caro dele, de longe como som (porreta) naquelas alturas… 

Doutor! — o pau “torava” mesmo, meu primo é potência no negócio de bagulho.

Então! Fiquei impressionado com tudo aquilo.  — pensei comigo, —eu numa banca de fruta, ralando 10 horas por dia e ganhando pouco.

O meu dinheiro? — mal dava para o aluguel, luz e água, para a comida eu tinha que me contentar com a “quentinha” da dona Marta, aquela que tem uma birosca em frente do cemitério. Ali, a comida é bem “fraquinha”, só tinha arroz, feijão, aboborá refogada e carcaça de franco — mas é barata.

Não tinha outro jeito não, as coisas são assim mesmo, ralar muito e viver com pouco, é meu destino, sou filho de pobre e sem estudo.  

Meu primo, não! — o (cabra) é esperto! — mudou de vida.

Até parece um “granfino”, vejo isso pela casa “top” dele, e a namorada loira e sarada, cheia das joias.

Dizem que ela, é filha de fazendeiro. Desconfio mesmo que gosta do bagulho também. O senhor sabe né doutor! — o homem não precisa ser bonito, para ter as mulheres que desejar.

Porque, o que elas gostam mesmo é de vida boa, se você der o que querem, vai estar sempre montado, num trem bom.

Até o senhor que é coroa consegue qualquer beldade, com dinheiro.

Foi assim que começou doutor!

— Primeiro vendia umas pedras só para ajudar com as despesas, depois de semanas eu já tinha clientela fixa,  uns caminhoneiros, que pegavam o bagulho toda semana, e pagavam no final do mês — tudo coisa certa (ponta firme), poderia contar com dinheiro deles — como se fosse o salário.

Eu estava indo muito bem, tinha minha casa, moto nova, estava “fofo”.

Mas, foi só me engraçar e enrabichar pela bandida com cara de moça direita, que minha vida virou um inferno.

Poxa! Eu dava tudo para ela.

Paguei os remédios quando ficou doente, e mandava as coisas para casa da mãe dela, que é muito pobre, mora lá na ponta da rua, vizinha das chácaras.

Ela teve o que mereceu! — Foi só dois “pipocos” na nuca, o cano do “trêzoitão” saiu uma língua de fogo, que iluminou tudo. Deu até sentir o cheiro de cabelo queimado na hora.

Ela tombou como um saco de arroz, a “Bike” caiu dum lado e ela do outro. A rua estava meio escurecida, o senhor conhece–lá no meu bairro? — tem poucas lâmpadas acessas. 

Depois, que vi ali caiada no chão, sem se mexer, girei a moto e sai feito um raio, — fui direto esconder “o ferro” lá na casa “dum” chegado, na zona leste.

Maldita ingrata, agora não vai roubar mais ninguém.

Então! Esta é minha resenha, é por isso estou aqui, de férias (—risos).

Pelo menos a comida é melhor que a “quentinha” da Dona Marta.

Mas, saio logo, faltam uns 5 meses, penso que a juíza vai me soltar.

O ruim disso tudo, é que perdi uma clientela boa e fiel. Tenho que recomeçar tudo do zero.

Se conseguir passar as pedras para os caminhoneiros de novo, estarei “fofo”Porque, logo estarei montado numa “motona zerada” e vou cuidar só dos meus bagulhos.

Mulher agora! — nunca mais levarei para o meu “cafofo” — a lição disso tudo é que mulheres e negócios não combinam.

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