FELICIDADE: EXISTE UM MOMENTO?

Sempre que alguém busca compreender o tema, vem logo a mente, que se trata de um ideal filosófico, pois, não há uma receita que ao final de juntar todos os ingredientes obteriam o bolo pronto, a felicidade. Contudo, é fato que há unanimidade quanto ao desejo de experimenta-la, conhece-la e vivencia-la; tudo dependendo de como você a concebe, respectivamente. Se ela é algo que tanto se fala através de todas as expressões artísticas, tais como: poesias, canções, romances, cinema, teatro, etc. Então! Por que é tão raro encontrar alguém que seja capaz de compreender e descreve-la como algo real e atingível?

Inicialmente, é necessário fazer uma distinção do nosso público, em dois grandes grupos: os conscientes e os que só seguem o bando — são adeptos do senso da maioria.  De forma que, a parcela consciente de nós, que são aptas para responder prontamente a questão posta,  são indivíduos despertos que sabem que temos as nossas peculiaridades, as quais, são uteis e até diria essenciais para esta reflexão.

Por outro lado, entretanto, as pessoas que não tem opinião própria e se deixam influenciar e até são guiadas por um modelo ideal de felicidade estabelecido pelo sistema de consumo, que determina o que vestir, comer, lazer, carreira, religião, ou seja, agem em conformidade com o que a “mídia” prescreve, renegando a possibilidade de SER em detrimento do apenas TER. Acredito que a nossa reflexão não fara sentido para esses. Perdoem-me.

Assim, convido aqueles dispostos a pensar por si mesmos a acompanhar-nos. Existe um ditado da Roma antiga que diz “a vida é um curto sonho de alegria e a exuberância da idade primaveril”, isso nos remete pensar como o tempo aqui é breve, se esperamos por algo que nos proporcionara momentos felizes, devemos questionar: será que quando chegar esse dado momento, esse ainda será meu ideal de felicidade?

O grande Carl Jung nos ensina que “uma pessoa envelhecida tem olhos voltados para o passado, e uma criança normalmente olha para sua frente”, eis o paradoxo da felicidade, ela nunca está presa ao lapso temporal — nunca seremos no futuro a mesma pessoa que somos no presente. Pois, não são as coisas que mudam e sim a nossa percepção da realidade. O que hoje nos parece sublime e ideal, amanhã o veremos de outra maneira, tal como algo sem muita importância.

Por fim, ninguém poderá ter a garantia de que será feliz quando tiver atingido determinada meta pessoal, seja um patamar na escala social, riqueza, emprego ideal, casamento, casa dos sonhos, etc. A felicidade, portanto, só será percebida se observar os nossos momentos de contentamento e alegria, sobremaneira, nos pequenos gestos de carinho e na apreciação do que é belo, onde não haja expectativas predefinidas para concebê-la. Então o sensato acertadamente dirá, estou feliz. © Elizeu NVL.