MORTE: POR QUE EVITAMOS TANTO FALAR?

Por que algo inevitável nos causa tanto pavor? — talvez, porque seja um grande tabu! Especialmente, se você é ocidental, onde a cultura (cristã) predomina e sempre tratou o tema com tanto simbolismo, denotando uma espécie de castigo: “o salvador, inocente morreu na cruz por culpa dos pecadores…”. Pontuando nessa parte uma apoteose, contudo, como sabemos que é a mensagem que torna alguém mortal em imortal.

Teologias a parte, não temos interesse no aspecto religioso desse evento da vida, mas, antes, refletir sobre esse inevitável momento de uma existência, sobre tudo, com um olhar mais real e com outra conotação, ou seja, algo positivo. Pois, se julgamos que a (vida) não se resume a parte biológica, é certo que devemos enxergar um horizonte mais significativo.

Muito embora, a simples ideia de morte como final de uma vida, seja chocante e nos cause emoções tristes e intensas, entretanto, do ponto de vista do mundo das ideias, ou seja, do (reino dos céus), tudo pode ser mais claro, como naquela canção: “E tudo ficou tão claro, O que era raro ficou comum. Como um dia depois do outro. Como um dia, um dia comum” (Engenheiros do Hawaii).

Recentemente, conheci um ponto de vista que me motivou escrever esta. Trata-se da ideia que durante a vida, morremos três vezes: a primeira morte ocorre quando perdemos a inocência: (constamos que o mundo não é como os contos de fadas); depois, a segunda vem quando deixamos da ingenuidade: (descobrimos que viver significa pagar o preço por nossas escolhas); e por fim, a terceira: (trata-se do momento em se morre fisicamente).

Portanto, se refletirmos um pouco, veremos que essa ideia faz todo o sentido. Se a cada fase concebemos um mundo segundo determinado grau de compreensão.

Por fim, suavizando um pouco o tema, faremos a seguinte analogia: (a vida com o ato de escrever): “Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final e no meio você coloca ideias”(Pablo Neruda). De forma que, nascemos e normalmente nos desenvolvemos, poderíamos inferir se formos capazes de perceber às duas primeiras mortes, certamente estaremos preparados para última. © Elizeu NVL.